Lei Nº 11.915 21 de maio de 2003

Institui o Código Estadual de Proteção aos Animais, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. 

Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 82, inciso IV, da Constituição do Estado, que a Assembléia Legislativa aprovou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte: 

TÍTULO I 
CAPÍTULO I 

Das Disposições Gerais 

Art. 1º - Institui o “Código Estadual de Proteção aos Animais” estabelecendo normas para a proteção dos animais no Estado do Rio Grande do Sul, visando a compatibilizar o desenvolvimento sócioeconômico com a preservação ambiental. 

 

Art. 2º - É vedado: 

I - ofender ou agredir fisicamente os animais, sujeitando-os a qualquer tipo de experiência capaz de causar sofrimento ou dano, bem como as que criem condições inaceitáveis de existência; 

II - manter animais em local completamente desprovido de asseio ou que lhes impeçam a movimentação, o descanso ou os privem de ar e luminosidade; 

III - obrigar animais a trabalhos exorbitantes ou que ultrapassem sua força; 

IV - não dar morte rápida e indolor a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo; 

V - exercer a venda ambulante de animais para menores desacompanhados por responsável legal; 

VI - enclausurar animais com outros que os molestem ou aterrorizem; 

VII - sacrificar animais com venenos ou outros métodos não preconizados pela Organização Mundial da Saúde - OMS -, nos programas de profilaxia da raiva. 


CAPÍTULO II 
Dos Animais Silvestres 

Seção I 
Fauna Nativa 

Art. 3º - Consideram-se espécies da fauna nativa do Estado do Rio Grande do Sul as que são originárias deste Estado e que vivam de forma selvagem, inclusive as que estão em migração, incluindo-se as espécies de peixes e animais marinhos da costa gaúcha. 

Art. 4º - Os animais silvestres de qualquer espécie, em qualquer fase de seu desenvolvimento, bem como os seus ninhos, ovos e abrigos são considerados bens de interesse comum do Estado do Rio Grande do Sul, exercendo-se este direito respeitando os limites que a legislação estabelece. 

Seção II 
Fauna Exótica 

Art. 5º - A fauna exótica compreende as espécies animais não originárias do Estado do Rio Grande do Sul que vivam em estado selvagem. 
Art. 6º - Nenhuma espécie poderá ser introduzida no Estado do Rio Grande do Sul sem prévia autorização do órgão competente. 

Art. 7º - Todo vendedor de animais pertencentes à fauna exótica deverá possuir certificado de origem e licença de importação fornecida pela autoridade responsável. 

Parágrafo único - No caso de o vendedor ou possuidor não apresentar a licença de importação, será confiscado o animal e encaminhado à Fundação Zoobotânica deste Estado que tomará as providências necessárias. 

Seção III 
Da Pesca 

Art. 8º - São de domínio público todos os animais e vegetação que se encontram nas águas dominiais. 

Art. 9º - Toda alteração no regime dos cursos de água, devido a obras, implicará em medidas de proteção que serão orientadas e fiscalizadas por entidade estadual competente. 


CAPÍTULO III 
Dos Animais Domésticos 

Seção I 
Dos Animais de Carga 

Art. 10 - Será permitida a tração animal de veículos ou instrumentos agrícolas e industriais, somente pelas espécies bovinas, eqüinas e muares. 

Art. 11 - É vedado: 

I - atrelar animais de diferentes espécies no mesmo veículo; 

II - utilizar animal cego, enfermo, extenuado ou desferrado em serviço, bem como castigá-lo; 

III - fazer viajar animal a pé por mais de 10 (dez) quilômetros sem lhe dar descanso; 

IV - fazer o animal trabalhar por mais de 6 (seis) horas seguidas sem lhe dar água e alimento. 

Seção II 
Do Transporte de Animais 

Art. 12 - Todo o veículo de transporte de animais deverá estar em condições de oferecer proteção e conforto adequado. 

Art. 13 - É vedado: 

I - transportar em via terrestre por mais de 12 horas seguidas sem o devido descanso; 

II - transportar sem a documentação exigida por lei; 

III - transportar animal fraco, doente, ferido ou em adiantado estado de gestação, exceto para atendimento de urgência. 


CAPÍTULO IV 
Dos Sistemas Intensivos de Economia Agropecuária 

Art. 14 - Consideram-se sistemas intensivos de economia agropecuária os métodos cuja características seja a criação de animais em confinamento, usando para tal fim um alto grau de tecnologia que permita economia de espaço e trabalho e o rápido ganho de peso. 

Art. 15 - Será passível de punição toda a empresa que utilizar o sistema intensivo de economia agropecuária que não cumprir os seguintes requisitos: 

I - os animais deverão receber água e alimento, atendendo-se, também, suas necessidades psicológicas, de acordo com a evolução da ciência, observadas as exigências peculiares de cada espécie; 

II - os animais devem ter liberdade de movimento de acordo com as suas características morfológicas e biológicas; 

III - as instalações devem atender às condições ambientais de higiene, circulação de ar e temperatura. 

Parágrafo único - Não será permitida, em nenhuma hipótese, a engorda de aves, suínos e outros animais por processos mecânicos, químicos e outros métodos que sejam considerados cruéis. 



CAPÍTULO V 
Do Abate de Animais 

Art. 16 - Todo frigorífico, matadouro e abatedouro no Estado do Rio Grande do Sul tem a obrigatoriedade do uso de métodos científicos e modernos de insensibilização, aplicados antes da sangria, por instrumentos de percussão mecânica, processamento químico, elétrico ou decorrentes do desenvolvimento tecnológico. 


Art. 17 - VETADO 


TÍTULO II 
CAPÍTULO I 
Dos Animais de Laboratório 

Seção I 
Da Vivissecção 

Art. 18 - Considera-se vivissecção os experimentos realizados com animais vivos em centros de pesquisas. 

Art. 19 - Os centros de pesquisas deverão ser devidamente registrados no órgão competente e supervisionados por profissionais de nível superior, nas áreas afins. 

Art. 20 - É proibida a prática de vivissecção sem uso de anestésico, bem como a sua realização em estabelecimentos escolares de ensino fundamental e médio. 

Parágrafo único - Os relaxantes musculares parciais ou totais não serão considerados anestésicos. 

Art. 21 - Com relação ao experimento de vivissecção é proibido: 

I - realizar experiências com fins comerciais, de propaganda armamentista e outros que não sejam de cunho científico humanitário; 

II - utilizar animal já submetido a outro experimento ou realizar experiência prolongada com o mesmo animal. 

Art. 22 - Nos locais onde está autorizada a vivissecção, deverá constituir-se uma comissão de ética, composta por, no mínimo, 03 (três) membros, sendo: 

I - um (01) representante da entidade autorizada; 

II - um (01) veterinário ou responsável; 

III - um (01) representante da sociedade protetora de animais. 

Art. 23 - Compete à comissão de ética fiscalizar: 

I- a habilitação e a capacidade do pessoal encarregado de prestar assistência aos animais; 

II - verificar se estão sendo adotados os procedimentos para prevenir dor e o sofrimento do animal, tais como aplicação de anestésico ou analgésico; 

III - denunciar ao órgão competente qualquer desobediência a esta Lei. 

Art. 24 - Todos os centros de pesquisas deverão possuir os recursos humanos e materiais necessários a fim de zelar pela saúde e bem-estar dos animais. 


Seção II 
Das Disposições Finais 

Art. 25 - As penalidades e multas referentes às infrações definidas nesta Lei serão estabelecidas pelo Poder Executivo, em espécie. 

Art. 26 - O Poder Executivo definirá o órgão estadual encarregado de fiscalizar o cumprimento das disposições desta Lei. 

Art. 27 - O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 30 (trinta) dias da data de sua publicação. 

Art. 28 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 

Art. 29 - Revogam-se as disposições em contrário. 

PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 21 de maio de 2003.